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Contextualização

Atualmente a fibra óptica figura no cenário mundial como o principal meio utilizado para conexão das redes de telecomunicações e dados. Fibras são utilizadas em conexões internacionais e intercontinentais, muitas vezes através de cabos submarinos. O meio também é utilizado nos principais backbones em operação. Redes metropolitanas e corporativas passaram a adotar a transmissão óptica por aliar baixas taxas de falhas e altas taxas de transmissão por grandes distâncias. O barateamento dos custos do meio óptico tem levado ao aumento gradual da utilização desta solução, aumentando a capilaridade da malha.

Além disso, outro fato relevante relacionado ao tema é que, em virtude do Decreto Presidencial Nº 8.135/2013 [1], todas as comunicações de dados da administração pública federal deverão ser realizadas por redes de telecomunicações e serviços de tecnologia da informação fornecidos por órgãos ou entidades da administração pública federal. O fato impulsiona a esfera federal de governo para a implantação e gestão de redes corporativas próprias e independentes.

No ano de 2005, a RNP deu início ao projeto Redes Comunitárias de Educação e Pesquisa (Redecomep), iniciativa que tem como objetivo a construção de redes de alta velocidade em 26 capitais de Unidades Federativas do Brasil. À época, uma das grandes vantagens apontadas foi a possibilidade de aumento da capacidade de transmissão sem custos adicionais, criando infraestrutura independente das operadoras comerciais [2]. Passados 10 anos desde o início da iniciativa, o projeto ganha ainda mais relevância pelo caráter independente destas redes.
Posteriormente, o projeto avançou e lançou uma segunda fase, prevendo a construção de mais 13 redes. Contabilizando as duas fases e a fase piloto, o projeto conta com 40 redes ópticas distribuídas pelo país.

No ano de 2012, o Ministério das Comunicações abriu primeira seleção para projeto-piloto denominado Cidades Digitais, com objetivo de modernizar a gestão, ampliar o acesso aos serviços públicos e promover o desenvolvimento dos municípios brasileiros por meio da tecnologia. A iniciativa prevê, dentre outras frentes, a construção de redes de fibras ópticas para interligar os órgãos públicos locais.
No projeto-piloto foram selecionados 80 municípios. Em 2013, o projeto foi incluído no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) do Governo Federal e selecionou mais 262 municípios [3].

Caracterização do problema

Apesar de toda a relevância do segmento de redes ópticas para as redes de computadores e para o segmento de telecomunicações, não é possível identificar no mercado ou na comunidade de software livre soluções maduras com capacidade de equipar os grupos técnicos com uma ferramenta que promova uma boa gestão de infraestrutura.

Um outro ponto que agrava a situação é que as soluções que existem para esse tipo de gestão não possuem muitas das funcionalidades demandadas e nem possibilitam a customização para atendê-las. Hoje, muitas das redes são mantidas utilizando ferramentas não integradas, cada uma atendendo a uma demanda específica.

Outro ponto relevante está no custo e nos dificultadores burocráticos que envolvem a aquisição de ferramentas comerciais. Quando ampliado à escala nacional, o investimento se torna bastante alto. Alia-se a este, a dificuldade de adaptação de uma solução fechada a um contexto um pouco mais diferenciado.

Neste contexto, por não haver uma iniciativa única, cada gestão de Redecomep acaba implementando sua forma de gerir as informações, dificultando a interoperabilidade, o compartilhamento e a consolidação das informações.

Contribuições e potencial para se tornar um produto/serviço da RNP

Como contribuição principal, espera-se que a ferramenta torne-se uma referência na gestão de informações de redes ópticas, capaz de facilitar a gestão e operação e desenvolver o segmento de telecomunicações. Além disso, espera-se que a ferramenta possa ser incorporada na gestão das redes do projeto Cidades Digitais [3], beneficiando centenas de municípios com um gerenciador estruturado das informações da rede. O projeto já apresenta 342 potenciais beneficiados, quantidade de municípios selecionados nas duas fases do projeto Cidades Digitais, realizadas em 2012 [4] e em 2013 [5].

Como contribuição para a RNP, espera-se que a ferramenta torne-se o principal software de gestão de infraestrutura de redes ópticas utilizado pelas equipes que operam as redes do projeto Redecomep, beneficiando a operação de 40 redes associadas ao projeto. A ferramenta poderá ainda otimizar o processo de auditoria realizado periodicamente pela RNP, através da possibilidade de consultas remotas às documentações das redes. Outro benefício esperado está na capacidade da RNP gerir os seus ativos (consulta de quantidade de cabos nas redes, fibras disponíveis para negociações, etc). Outra contribuição importante é a criação de um padrão aberto para troca de informações da malha óptica entre as diversas redes do projeto Redecomep, que no passado teve diversas iniciativas de padronização, mas que não conseguiram atender aos requisitos necessários ou adotavam padrões fechados.

A ferramenta, proposta para ser desenvolvida sob a filosofia de Software Livre, estará em plena consonância com as diretrizes do Governo Federal, como “Promover a utilização e desenvolvimento de Software Livre no Governo Federal” e “Fortalecer a adoção de modelos de negócios em TIC, baseados em Software Livre e que utilizem prioritariamente padrões abertos” [6]. Esse modelo possibilita inclusive a reutilização da ferramenta por outras instâncias de governo (estadual e municipal), adaptando-a às suas necessidades específicas ao seu ambiente corporativo.

Além disso, o desenvolvimento desta proposta na filosofia de software livre abre as portas para a criação de um modelo de negócios importante para a RNP: parcerias e acordos de cooperação com entidades externas para agregação de novas funcionalidades e participação no desenvolvimento da ferramenta; consultoria de implantação e boas práticas de gestão de redes ópticas; treinamentos de capacitação para adoção em outras redes.

Outro ponto relevante é a potencialidade de novas parcerias entre a RNP e outras organizações que necessitam de ferramentas como esta, a exemplo NIC.br, com as suas várias localidades de PTTs, associações de provedores, que atualmente estão fornecendo vários tipos de conectividade para instituições vinculadas à RNP, ou até mesmo parcerias internacionais com outras redes acadêmicas que possuem esse mesmo tipo de demanda.

Estudos Preliminares

Em estudos preliminares realizados foi observado que não há uma ferramenta que se destaque para a gestão de infraestrutura de redes ópticas. A Figura 1 mostra a tela de uma das ferramentas avaliadas que é utilizada para o cadastro de informações de infraestrutura de redes ópticas. Embora a ferramenta permita o cadastro de informações básicas georreferenciadas, ela não permite, por exemplo, a realização da gestão de infraestrutura subterrânea compartilhada (rede de dutos e valas compartilhadas). Além disso, ela não provê mecanismos de extensão para a implementação das funcionalidades ausentes, o que impede a introdução de inovações que otimizem o trabalho de gerenciamento de redes ópticas.

Foram consultados diversos players de mercado, entre eles órgãos responsáveis pela administração de redes corporativas governamentais e operadoras. Todos os órgãos consultados realizam a gestão através de um conjunto de ferramentas distintas.

As soluções utilizadas esbarravam em problemas de integração e escalabilidade, em virtude de processos engessados, muitas vezes manuais. Informações geradas em uma ferramenta não podiam ser utilizadas em outras, dificultando a análise de projetos, impactos em intervenções e outros aspectos.



Figura 1. Tela de uma ferramenta utilizada para cadastro de informações de infraestrutura de redes ópticas.

Objetivos e metas

O projeto tem o objetivo de desenvolver uma ferramenta que possibilite a gestão centralizada de informações de infraestrutura de redes ópticas.
Como objetivos específicos têm-se:

Levantar e documentar requisitos para uma ferramenta de gestão de informações de infraestrutura de redes ópticas, por meio de consulta a especialistas e avaliação de ferramentas existentes.

Investigar tecnologias e arquiteturas adequadas para a construção da ferramenta, com vistas à extensibilidade da solução.

Desenvolver a ferramenta, sob a forma de uma aplicação web e um ou mais aplicativos para dispositivos móveis.

Elaborar documentação e material de treinamento para uso da ferramenta.


Dentre as funcionalidades previstas para a ferramenta, destacam-se as seguintes:

  • Registrar informações relacionadas ao cabeamento óptico (encaminhamentos, comprimento, se aéreo ou subterrâneo, etc.) relativas às fibras ópticas (consumo, disponibilidade, mapa de fusões, etc) e à infraestrutura subterrânea (rede de dutos, caixas subterrâneas, etc.).
  • Permitir o georreferenciamento de todas as informações que relacionem localidades especificas de cabeamento, equipamentos e infraestrutura de lançamento, usando bases cartográficas abertas e colaborativas para georreferenciar as informações.
  • Garantir que as informações sejam armazenadas em base centralizada a ser disponibilizada para consulta e acompanhamento dos projetos pela RNP, isolando cada contexto de rede local em um segmento separado e independente, possibilitando múltiplas formas de visualização e administração das informações contidas na ferramenta.
  • Possibilitar a geração de relatórios de gestão que provejam informações relevantes à governança das redes, tais como dimensões totais da infraestrutura, porcentagem de fibras disponíveis na rede e mensuração estimada de valor do patrimônio imobilizado na rede.
  • Prover informações relevantes à equipe de Engenharia da RNP, facilitando, em âmbito nacional, o processo de auditoria das redes.
  • Possibilitar a visualização da infraestrutura por diversos usuários através de níveis de perfis, funcionalidade importante para o controle de dados sensíveis à operação da rede.


Além disso, a ferramenta deve possuir as seguintes características:

  • Utilizar padrões abertos que possibilitem a troca de informações entre redes óticas distintas que utilizem outras ferramentas.
  • Possuir uma arquitetura de plug-ins, de forma a facilitar a contribuição da comunidade usuária na criação de novas funcionalidades.
  • Ser lançada sob uma licença de software livre, permitindo a contribuição da comunidade em funcionalidades avançadas que não puderem ser implementadas como plug-ins.
  • Ser usável a partir de várias plataformas, tanto em PCs quanto em dispositivos móveis.


Pretende-se desenvolver a ferramenta utilizando-se um processo de desenvolvimento iterativo e incremental, a exemplo da metodologia Scrum, na qual se prioriza a entrega frequente de funcionalidades relevantes para os potenciais usuários de forma a obter feedback o mais cedo possível sobre o projeto. Na primeira iteração do projeto, serão priorizadas as funcionalidades de acordo com a sua importância para usuários e com o esforço de implementação.

Os objetivos acima abordados ainda não são completamente atendidos por soluções comerciais e tampouco por soluções baseadas em software livre, conforme indicado ao final da subseção 7.2 (Caracterização do problema). A ferramenta, da forma como é proposta por este projeto, se tornaria um ponto concentrador de informações de redes do projeto Redecomep, promovendo, entre outros, uma melhor gestão destas redes pela RNP.

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